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MARKETING DE INFLUÊNCIA

Shadowban: Como evitar o bloqueio do Instagram?

Se você já sentiu que seu alcance e engajamento diminuíram ou pararam de crescer de uma hora pra outra, saiba que o algoritmo pode não ser o único responsável. Em algumas situações pode acontecer o temido shadowban do Instagram, onde os posts são removidos das buscas por hashtags. Se você não faz ideia do que é essa palavra estranha, fizemos esse artigo cheio de informações sobre o misterioso! O que é Shadowban?   A palavra significa bloquear o usuário de uma rede social de forma que ele não perceba que foi banido e existe desde 2006, apesar de ter se popularizado no Instagram apenas em 2016. Shadowban é quando seu conteúdo deixa de aparecer nos feed de hashtags, localização e até mesmo na aba de Explorar. Aparecendo apenas para seguidores, o que diminui muito o alcance do perfil. Isso funciona para a rede, porque alguns perfis usam técnicas impróprias para expandir os números como bots, automações e hashtags irrelevantes, que não necessariamente têm relação com o conteúdo postado, deixando a experiência dos demais usuários nada agradável. Importante: O mau uso do algoritmo pode causar um resultado parecido, por isso, nem sempre o shadowban  será o único motivo do seu baixo alcance, por isso é importante analisar o motivo do seu baixo alcance. Como saber se seu perfil foi vítima do shadowban?  Faça uma publicação; Na publicação, use uma hashtags que você usa frequentemente e que não seja tão usada; Peça para que cinco perfis que não te seguem pesquisar pela hashtag que você usou na publicação; Veja se você está aparecendo para as pessoas nesse feed de hashtags. Se os perfis não encontrarem sua publicação é um sinal de que você está no shadowban, mas fica calmo que vamos dar algumas dicas pra solucionar o problema.  Como resolver o shadowban no seu perfil? 1. Dê uma pausa de 24h a 48h no perfil. Nada de posts, stories nem se quer passear pelo feed, de preferência, nem faça login na conta; 2. Se você faz muitos posts no mesmo dia, o Instagram pode te considerar um spammer. Tente manter um número de publicações razoável, como uma conta pessoal, por exemplo; 3. Sabe aqueles apps que pedem pra você autorizar o acesso ao perfil no Instagram? Então, eles enchem a nossa conta de acessos, por isso, desconecte esses acessos; 4. Mude para perfil pessoal por um tempo; 5. Se nada der certo, entre em contato com a plataforma para resolver o problema. Se liga nessas dicas para não cair nessa. 1- #Não #use #hashtags #quebradas. Se for usar hashtags priorize unir frases em uma única hashtag; 2- Não quebre as diretrizes da plataforma, comportamentos fora dos ideais da rede resultam em diversas punições para sua conta. Leia as regras! 3- Não repita ações. Se você rola o feed curtindo tudo que vê pela frente, dando follow ou unfollow em muitos perfis, a plataforma pode entender que você é um bot, um perfil robô; 4- Não use automações para ganhar seguidores. O instagram consegue detectar esse tipo de comportamento robótico dentro do seu perfil e o resultado não é nada positivo. Já aconteceu com você? Conseguiu resolver o problema? Conta aqui pra gente nos comentários! Por Rafaelly Alves

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O que você sabe sobre Visibilidade Trans e Travesti?

Olá, aqui é a Julia, Community Manager na Mosaico! Eu lembro de um reflexo da influência pelo qual eu passei, quando uma vez eu estava trabalhando em um hotel, e na recepção chegou uma criança e falou “Olha mãe, a Pabllo Vittar”.  Eu “não consegui não abraçar” ela muito. Claramente há um distanciamento enorme entre a Drag Queen e uma Travesti, mas a percepção de uma criança quanto a uma pessoa LGBTQIA+  em tom de admiração, já é algo gigante, não é mesmo?  O mundo corporativo não costuma ser o ambiente mais convidativo para pessoas Trans de maneira geral, como veremos a seguir neste texto. Ainda existem estigmas sociais a serem quebrados e a exclusão é massacrante. Já tive oportunidades muito boas de emprego. Muitas outras me foram negadas e limitações foram impostas durante esse período. Me encontrei e me perdi várias vezes nesses processos para chegar onde estou agora.  Trabalhar com o Marketing de Influência hoje em dia me mostra um caminho que pode ser um grande aliado na luta por direitos e visibilidade, na abertura e ampliação de debates que podem nos fazer chegar a um lugar mais igualitário.  Trabalhar com a Mosaico, contando com a diversidade em cada pessoa da equipe, parece uma experiência surreal a partir da lógica corporativa, e saber sobre o papel que estamos desempenhando e o potencial futuro que pode ter, é uma motivação maior.  Falando do ponto de intersecção entre o lado profissional e pessoal: você poder olhar para as pessoas com quem você trabalha e poder se sentir “pertencente” ao grupo deveria ser um direito garantido a todos. Por esses e outros motivos, devemos levar sempre em consideração recortes em diversas esferas sociais. Principalmente entendendo o contexto e suas reivindicações.   Especificamente sobre a comunidade Trans – recorte que me corresponde – no mês de Janeiro, no dia 29, é celebrado o Dia Nacional da Visibilidade Trans e Travesti.  A data é importante para pessoas trans de todo o país. Importância essa que também deve ser abraçada e até celebrada por pessoas cisgêneras, pois tem o significado de reforçar a luta por respeito, garantia de direitos, igualdade (e equidade). E numa sociedade mais igualitária, todo mundo sai ganhando.  Vale lembrar que o Brasil continua sendo o país que mais mata pessoas trans no mundo, seguido por México e Estados Unidos.  Também é importante termos a proporção da população Travesti/Mulheres trans é abismal no mercado de trabalho, onde pesquisas apontam que 90% da população utiliza a prostituição como principal fonte de renda/trabalho e apenas 4% dentre as 10% têm registro em empregos formais. Em um segundo ponto, pessoas trans têm grande relevância e suas diversas contribuições podem ser encontradas em áreas da arte, cultura e comportamento, que socialmente são consideradas marginalizadas, e por muitas vezes, são expropriadas em função de enquadramento nas normas impostas  como sua influência na luta por igualdade de gênero, cultura, linguagem, literatura, política, entre outros. Há uma grande pluralidade que deve ser celebrada em diversos âmbitos de influência habitados por pessoas Trans (e pretas), onde principalmente deveriam ser lembradas como protetoras ou formadoras de tais elementos culturais, por exemplo, o aclamado “Voguing” na dança e a cultura Ballroom.  No imaginário social conservador, ainda há alguns impedimentos, porém a população trans vem avançando, e quebrando estigmas e lugares antes impostos. Como apontado no documentário “Revelação” (Disclosure – 2020 – Netflix) – para falar de uma referência recente e “popularizada” – há uma forte influência da indústria cinematográfica, e tantas outras para a criação desse paradigma. Ou seja, ainda estamos em processo de quebra de paradigmas. Com o avanço da utilização das redes sociais como forma de manifestação em prol da visibilidade, assim como com ações afirmativas e manifestações políticas, hoje podemos ter,  em uma visão relativamente opaca, a possibilidade de celebrar a diversidade, sua completude e influência positiva que pode trazer. Por quê influência? Nos tempos anteriores à invenção da Internet, devido sua forte presença também nas artes,  a comunidade Trans já era noticiada como parte da influência do mundo do entretenimento no Brasil e no Mundo – principalmente na “mídia alternativa” – como apontado pelos Museus que resgatam a memória da comunidade LGBTQIA+. Nos primórdios da internet,  era comum a presença de creators Trans em Blogs, Fotologs, comunidades do orkut e outras ferramentas mais antigas. Assim como funcionam as redes sociais atualmente, elas serviam como meios de comunicação entre a própria comunidade para o compartilhamento de informações relevantes e de apoio, como relatos de transições, fóruns sobre a liberdade de gênero e compartilhamento de lugares seguros, hoje essa narrativa avança, ajudando o deslocamento para o alcance e visibilidade além dos relatos de transição. “Laverne Cox foi a primeira mulher transsexual  indicada ao Emmy Awards, em 2014, por conta de sua personagem Sophia Burset, no seriado Orange Is The New Black.  Ela possui 4,5 milhões de seguidores no Insta”; via Metrópoles; Hoje estamos encontrando caminhos e realizando  marcos importantes, como pessoas Trans ocupando a política, cinema, música e grandes prêmios de mídias também acessados pela população Cisgênera. Como destacado acima, cada vez mais se evidenciam através influenciadores Transvestigêneres em redes sociais. E mais, com a explosão de produções como “Pose”(Netflix, 2018), ou a nova série que conta a história da atriz e cantora Cristina Ortiz, “Veneno” (HBOMAX, 2020) e a quebra de narrativas trazida pelo filme “Alice Júnior” (Beija Flor Filmes, 2019), podemos encontrar sinais positivos sobre as novas influências nos caminhos de como se representa a história e vivência Trans. @jonasmariaa “ – O filme “Alice Júnior”, lançado em 2019 e recentemente disponibilizado na Netflix, não só é um respiro para a comunidade transgênera, como também nos convida a mergulhar de verdade nas questões trans enquanto nos diverte….” Diz Jonas Maria. Fruto desses trabalhos, é possível observar atrizes que protagonizaram os respectivos papéis, como Daniela Santiago e Anne Mota e sua notoriedade nas redes sociais.  Daniela Santiago @danielasantiago___(142k seguidores)    Anne Mota @annemotareal (17,4k seguidores) Artistas e profissionais de diversas áreas compartilham informação e conteúdo através das redes sociais, utilizando-as,  assim como pessoas cisgêneras, como vitrines para seus trabalhos, sua rotina e entretenimento. Segundo

MARKETING DE INFLUÊNCIA

Creators também são pessoas: você sabia disso?

Por trás de cada avatar, existe uma pessoa. Isso parece óbvio, mas quando estamos conectados, sob a máscara de internautas, facilmente esquecemos que por trás do conteúdo consumido, existe um criador com sentimentos e expectativas, esperando o feedback sobre o que foi publicado.  O universo online nos dá voz, ferramentas para falar, uma infinidade de recursos para comunicar, mas não nos educa a ouvir. Cancelamos não necessariamente o que é injusto, e sim, toda opinião diferente. Isso não está certo, e a Mosaico criou a campanha “Creators também são pessoas” para tentar alertar sobre esse problema e estourar a bolha que está sendo criada.  O que é a cultura do cancelamento?  O cancelamento se tornou um medo entre os criadores de conteúdo. Este movimento começou a alguns anos, mas se popularizou recentemente. Seu foco era denunciar injustiças sociais, boicotando marcas e celebridades que cometeram graves delitos. Contudo, ganhou um novo significado: antes, o cancelamento procurava dar voz aos oprimidos, hoje, virou uma mão que sufoca a todos que possuem uma opinião diferente.  O movimento começou com boas intenções, se propagou, realizou denúncias e se tornou um justiceiro no meio online. Foi graças ao cancelamento, que muitas empresas refletiram e adicionaram em suas pautas assuntos como a diversidade, feminismo e racismo. Mas o tribunal da internet caiu nas mãos de pessoas erradas e qualquer erro pode iniciar o fim de uma carreira. Perdemos a chance de errar e aprender com isso, logo, as consequências a saúde mental podem ser catastróficas.  Creators também são pessoas: lembre-se antes de comentar Na Mosaico, somos a favor de discussões saudáveis na internet. É a troca de ideias que torna o convívio no nosso playground online mais vivo e colorido. Contudo, notamos uma onda de cancelamentos por motivos banais, como: não dar bom dia aos seguidores com tanta “simpatia”; errar a referência de um vídeo; demorar para publicar o conteúdo; ou apenas ter uma opinião diferente.  Idealizador da campanha, o Diretor Criativo da Mosaico, Bernardo Remus explica de onde surgiu a ideia de lembrar que creators são pessoas: “Ninguém pode sair um dedo da linha, ninguém pode se equivocar, ninguém pode ter um posicionamento diferente, que as pessoas começam a atacar sem dó, esquecendo que ali do outro lado da tela existe uma pessoa que também está evoluindo, descobrindo, explorando e que é passível de erros”, menciona.  A proposta de  “Creators também são pessoas”, de acordo com Bernardo, é lembrar a todos de realizar comentários menos agressivos e estimular a troca de opinião saudável. É procurar se colocar no lugar do próximo, e ter empatia com o criador de conteúdo – afinal, um cancelamento equivocado pode colocar em risco toda a sua forma de sobrevivência, ainda mais em um momento tão delicado como o que estamos vivendo, com o isolamento social. Como contribuir para a campanha?  No perfil da Mosaico, é possível conferir diversos conteúdos criados para serem compartilhados. Você pode fazer uso desse material e espalhar a palavra do creators são pessoas nas suas redes também. Vem fazer parte dessa corrente do bem!

DADOS

Creators LGBTQIA+ mandam recados (e grandes conselhos) para as marcas que ainda não investem em diversidade

Nossa pesquisa sobre o universo dos creators LGBTQIA+ trouxe muitos insights que falam do mercado da influência e sobre seu impacto direto nos representantes do movimento. Podemos navegar por dados que nos mostraram detalhes sobre as principais redes sociais trabalhadas, formatos favoritos para criação de conteúdo e também o quanto os creators conseguem ganhar com todo esse trabalho. No final do nosso formulário de pesquisa, deixamos um espaço em aberto para que o criador de conteúdo pudesse deixar um recado para as marcas. Hoje, a missão da Mosaico é publicar esses feedbacks, que são conselhos importantes para quem ainda tem algum receio em investir e se posicionar a favor de lésbicas, gays, trans, bis, queers, interssexuais, assexuais, panssexuias e etc. Eles merecem e têm direito a ter voz ativa, e você não pode deixar de ouvi-los e pegar esses conselhos para criar uma super estratégia cheia de diversidade para sua empresa.  Conselho 1: Influência é um trabalho e merece remuneração real “As marcas e as agências precisam lembrar que a gente existe além de junho e precisam lembrar também que a gente tem boletos, porque tem várias marcas que querem que a gente faça coisas de graça ou pagando super pouco em nome da visibilidade da causa. Visibilidade sem pagar não me interessa porque não gera inclusão. Eu só vou estar em pé de igualdade com as pessoas héteros-cis quando meu trabalho for tão valorizado quanto o deles”  (opinião de creator transgênero/pansexual) Esse comentário é muito importante pois mostra que não é apenas dando espaço em uma campanha para integrantes do movimento LGBTQIA+ que uma marca se mostra aberta à diversidade. É preciso que todos os tratamentos sejam igualitários, principalmente aqueles que envolvem remuneração pelo esforço envolvido por parte do creator. A pesquisa da Mosaico mapeou quanto o trabalho de influência auxilia na renda de cada creator e pode entender que a valorização que o creator busca é aquela onde ele é pago por exercer o seu trabalho, algo que vai muito além da distribuição de mimos ou recebidos em troca de posts, prática muito frequente na maioria das empresas, que buscam menções em troca de alguns produtos, sem realizar um alinhamento de trabalho remunerado.   Conselho 2: Ampliar o calendário e praticar a inclusão nos 365 dias do ano “Fazer publi e falar da pauta (LGBTQIA+) só na época do ano que todos falam é fácil. Importante é fazer esse trabalho de forma constante, apoiando a médio e longo prazo o criador do segmento. Especialmente se tratando de saúde mental, pois o criador de conteúdo ter um patrocinador fixo significa ter mais segurança e a imagem da marca é trabalhada no longo prazo. ”  (opinião de creator bissexual)“Incluir influenciadores que fazem parte desse meio em diversas campanhas durante o ano, não apenas no mês do orgulho LGBTQIA+” (opinião de creator bissexual) “Fazer mais ações ligadas ao público LGBTQIA+ mesmo fora das datas focadas nesse público. Trazer a normalidade e representatividade real da nossa comunidade para o mercado publicitário, defendendo nossa causa durante todo o ano. ” (opinião de creator bissexual) Nas lives realizadas pela Mosaico durante o mês de celebração ao orgulho LGBTQIA+, muitos dos nossos convidados também relataram a necessidade de ver marcas trabalhando a diversidade durante outras datas comemorativas ao decorrer do ano. A comunidade também possui ou são mães, pais, filhos, possuem famílias e querem engajar e comemorar esses dias especiais como qualquer outro influenciador que é convidado para campanhas nos outros meses do ano. A representatividade não está somente dentro da construção de narrativas em cima de uma sigla específica. Ela vai além, Uma marca não precisa somente praticar uma discurso literal. Ao contratar e incluir as ações na sua comunicação membros do movimento, indo além dos estereótipos e exposição da sexualidade, a marca já estará abrindo as portas para a diversidade. Os criadores de conteúdo falam sobre diversos temas, não é só o discurso da comunidade. Conselho 3: Abrir espaço para corpos gordos e pretos “Importante, além da diversidade de letras, pensar na diversidade de corpos! Pessoas gordas, inclusive” (opinião de creator bissexual) A pluralidade de uma campanha começa quando conseguimos estourar a bolha do comum. É ir além da família feliz na propaganda de margarina, do casal feliz, magro e hétero se beijando na campanha de dia dos namorados. Da festa de natal rodeada de pessoas brancas. É preciso incluir corpos gordos, pretos, indígenas, pessoas com deficiência e naturalizar as suas existências, pois parte dele são a maioria do público consumidor ativo no Brasil e precisam começar a se enxergar em ações de marketing das marcas. Gostou das dicas que os criadores de conteúdo passaram? Qual delas a sua empresa precisa ainda incorporar na comunicação? Navegue pelo nosso blog e descubra outros insights para trazer ainda mais pluralidade e diversidade para sua marca.  Pesquisa supervisionada e também integrante do projeto de pesquisa da Profa. Dra. Yhevelin Guerin, vinculada à Universidade de Santa Cruz do Sul e intitulada “Influenciadores digitais, empoderamento social e posicionamento de marca.

CONVERSAS

Raphael Dumaresq e Victor Hugo: Influenciadores e a visibilidade do universo Queer e Assexual

Estar dentro de realities shows podem ser o sonho de muita gente, contudo, poucos entendem o impacto de estar em evidência na mídia, principalmente se você fizer parte do universo LGBTQIA+, e pertencer a siglas não muito conhecidas dentro do movimento. No Mosaico de Conversas que fecha nossa maratona em homenagem ao mês do orgulho LGBT, tivemos o prazer de receber os influenciadores digitais Victor Hugo e Raphael Dumaresq. Siga lendo e confira como foi nossa conversa. Queer: Entenda o significado da sigla com Dumaresq.O significado da expressão Queer está em mutação e em busca de um futuro cheio de representatividade, já que no passado o seu uso era feito de forma pejorativa, como se fosse uma maneira de chamar outra pessoa de “esquisita” ou “estranha”. Adotado e ressignificado pela comunidade LGBTQIA+, o termo Queer ganhou espaço e um leque muito grande de significados. Pode se encaixar dentro da expressão, pessoas que, por exemplo: Não seja heterossexual, nem se sinta representado pelas outras siglas; Trabalhe com expressão política, ajudando ou sendo ONGS e grupos ativistas; Pessoas que fogem de normativas e não se encaixam em padrões vigentes; Se sentir abraçado pelo conceito livre da frase “ser o que quiser”.   Basicamente, ser Queer é pertencer a comunidade mas sem priorizar uma letra ao invés de outra. Nosso super entrevistado, Raphael Dumaresq, ex-participante do reality The Circle Brasil, afirma que “O conceito Queer é você se auto reconhecer, é você se auto representar e respeitar que você é quem você é, o indivíduo que você é”. O influenciador digital também complementa ao explicar que em teoria, o termo Queer fala muito sobre gostos bem particulares, de jeitos de ser e agir muito individuais e únicos, que não precisam seguir padrões heteronormativos. Em resumo, ele explica: “Não precisa seguir padrões ou se encaixar, o queer é muito fluído mesmo, ele vai e ele é. É mais sobre o que ele é.”, relata. Uma pessoa Queer não precisa se identificar como tal, basta sentir-se daquela forma. Essa questão vai muito além da identidade de gênero e orientação sexual, e abre um espaço bem importante para o autoconhecimento. Dumaresq, que também é produtor cultural, DJ, performer e colunista, falou sobre a procura por entender quem somos: “a primeira angústia da vida é “Eu não sei o que eu sou” a gente começa a procurar sabendo o que a gente quer ser, aí vem a questão da profissão, a questão do relacionamento, vem diversas questões. Até que ponto a pergunta “Quem você é? “ou a resposta de “Quem eu sou?”, é necessária para a gente ser, apenas ser, sabe?”, afirma o produtor natural de Natal, Rio Grande do Norte. Precisamos normalizar a assexualização: com a voz, Victor HugoEm um país hipersexualizado como o Brasil, ser assexual é sofrer o dobro de preconceito. Entender que é possível amar sem sentir prazer sexual, desejar um corpo ou mandar um famoso “nudes” pode ser visto como uma coisa anormal. Essa questão faz com que certas pessoas preconceituosas considerem os representantes dessa sigla pessoas doentes – o que nos leva a anos e anos de recessão quando o assunto é representatividade da comunidade LGBTQIA+. Victor Hugo, roteirista, psicólogo e ex-participante do BBB 20 soltou o verbo e contou na nossa conversa o que é ter uma personalidade assexual e também como ele sofreu os impactos de assumir quem era dentro da casa mais vigiada do Brasil. O influenciador conta os pontos positivos de ser assexual. “Significa que você é uma pessoa muito desenrolada, que você é uma pessoa muito feliz, muito alegre sozinha, mas não necessariamente que você passará a vida inteira sozinha. Você também pode encontrar um grande amor e ser muito feliz junto, então é muito legal.”, relata Victor que também aborda que, sobre ser assexual, a única coisa negativa é o preconceito e a falta de entendimento da maior parte das pessoas que o amor pode não estar baseado no sexo.  Ser assexual, então, é não (ou ter muito pouca) atração sexual. Nosso super ex-BBB, simpático e cheio de energia, Victor Hugo conta que infelizmente, mesmo dentro do movimento, o orgulho ACE (como os assexuais costumam se identificar) é algo muito solitário, já que dentro da comunidade ainda existe certa estranheza devido a sua orientação. O criador de conteúdo relata “Enquanto todo mundo festeja, o quanto é legal viver a liberdade de ser quem é, quando chega a data do Orgulho LGBT, a gente se sente muito mais triste, porque a gente ainda não consegue comemorar. Muitas vezes as próprias pessoas da comunidade LGBT achavam que eu era gay, que eu era enrustido e que eu não queria dizer que eu era gay dentro da casa, por ter achado que eu tinha me apaixonado.”. Victor Hugo fala que por conta da falta de entendimento ou dos haters, sentiu-se prejudicado dentro do reality por ter demonstrado sua orientação. “O discurso do assexual é sempre visto como uma mentira e não é só comigo que aconteceu. As pessoas me olhavam lá na casa e falavam ‘Mentira, isso não é verdade. Ele é falso’”, desabafa.  Um novo universo: a criação de conteúdo como um trabalho Agora, influenciadores digitais, Dumaresq e Victor Hugo estão em busca de oportunidades para darem mais voz às suas siglas e também para aproveitarem a chance que ganharam com tanta visibilidade graças aos realities The Circle Brasil e Big Brother Brasil. Com a pandemia do corona vírus, eles sentem falta do calor humano que o reconhecimento poderia oferecer: como abraços, um maior contato com seus seguidores e muito amor espalhado. Já super ciente dos desejos e do comportamento do seu público, Dumaresq conta como está sendo a aproximação das marcas com ele: “Tem muita marca chegando para mim porque elas me querem mesmo, ‘Dumaresq eu gosto do seu perfil. Eu gosto de tudo o que você fala, pra quem você fala. Eu acho que a nossa marca tem tudo a ver com você’. Eu gosto de fazer trabalhos assim, principalmente quando a marca tem tudo a ver. Não adianta eu chegar aqui

CONVERSAS

Uma aula sobre transgeneridade com Bielo Pereira e Tarso Brant

Influenciadores digitais tem o potencial de inspirar muitas pessoas. Contudo, nesse bate-papo que tivemos através do Mosaico de Conversa fomos mais do que inspirados, e sim, educados por Bielo Pereira e Tarso Brant. Ouvimos sobre representatividade, entendemos o significado de bigênere e intersexo, além de também falarmos sobre marketing de influência envolvendo criadores de conteúdo transgêneros. Siga lendo e fique por dentro de tudo que rolou. E se quiser acompanhar na íntegra o vídeo completo, acesse o IGTV da Mosaico. Bielo Pereira: gorde, ativista, prete, interssex e depois da live, professore Se só de ouvir a Bielo a gente já se sente energizado positivamente, imagina poder bater um papo com essa militante, dona e representante da sensatez? Saímos renovados da conversa, e tivemos o prazer de ouvir uma super explicação vinda da criadora de conteúdo sobre o significado de intersexo e transgeneridade, que aliás, é essencial você saber. Então, fica atento nas próximas palavras deste artigo. “A pessoa interssex não é só essa pessoa que nasceu com as duas gônadas. É também a pessoa que tem o desenvolvimento do corpo (…) digamos assim, híbrido. O que é mais uma comprovação (…) que o gênero é um ideal que a gente cria né.”, explica a creator e também apresentadora do Coisa Boa Para Você, do GNT. Bielo também explica que a sexualidade não é auto designada, e sim, uma condição pré-existente dentro de cada um de nós. Ouvir a influenciadora é um convite para entendermos melhor quem somos de verdade e avaliar a forma como nos apresentamos ao mundo, afinal, todos estamos livres para ser quem quisermos ser. A creator seguiu o bate-papo e foi fundo na sua explicação sobre o que é transsexualidade, para não deixar nenhuma dúvida. Ela diz que todo o conflito começa na hora de precisar se auto designar. “Isso normalmente acontece na adolescência, mas pode ser antes ou depois. A pessoa começa a ver que ela não faz parte daquele gênero que a família escolheu, que a família pré designou.” explica a influenciadora digital. Ao falar sobre as suas escolhas, Bielo conta “Eu me considero dos dois, eu sou uma pessoa bigênero, eu sou uma pessoa que é homem e mulher o tempo todo, independente da imagem social que eu esteja aparentando.”, relata enquanto nós, aprendemos e batemos palma. <3 O mês do orgulho LGBTQIA+ vai muito além da Parada LGBT O mês do orgulho é conhecido e ganhou notoriedade com o avanço e disseminação de Paradas LGBTs em todo o país, sendo a maior delas realizada em São Paulo, capital. Muitas marcas colocavam seus esforços de marketing dentro desse evento para se mostrarem abertas à diversidade. Contudo, estar de portas abertas vai muito além disso. Para ser uma marca livre de preconceitos contra o movimento LGBTQIA+, é preciso criar um relacionamento perene com os integrantes da sigla, incluindo-os em campanhas durante todo o ano. “Eu não vejo pessoas intersexuais fazendo campanhas, mesmo em junho, eu não vejo esse lado sendo representado. Muitas marcas vem falar comigo pela questão de eu ser uma pessoa trans, então eles falam comigo muito mais por conta disso, porque eles entendem melhor a coisa da transexualidade, mesmo eu falando que eu sou bigênere e interssex”, explica Bielo. Junto do nosso bate-papo, estava o modelo e influenciador, Tarso Brant que tem uma super história para contar sobre a sua transição e processo de descobrimento. Ao questionado sobre um recado que passaria para as marcas que ainda tem receio de trabalhar com transsexuais, Tarso Brant foi bem assertivo. “Elas estão perdendo tanto comercialmente, quanto em questão do conceito mesmo. Que o conceito do transgênero é algo que traz uma transgressão de barreiras, traz uma mudança implícita dentro de cada pessoa. Então a representatividade que um transgênero tem dentro de uma marca, ela não se compara com a de qualquer outra pessoa. A sensação de um transgênero na vida é única, eu tive a oportunidade, o prazer e a honra de viver duas existências em uma só vida. Quero utilizar do meu conhecimento para ajudar as pessoas da forma como eu não fui ajudado no início.”, desabafa o influenciador digital, que também é ator e modelo.  Profissão: Influenciadores digitais. Porque essa escolha? Não se nasce influenciador digital, torna-se. Assim como muitas outras escolhas em suas vidas, Tarso e Bielo optaram por abrir suas redes sociais para falar sobre suas transformações, militando e ajudando outras pessoas semelhantes a eles. Tarso conta que o começo de tudo para ele foi natural e cresceu de forma tão orgânica que o fez questionar sobre suas responsabilidades ao falar sobre qualquer assunto com mais cuidado. “Eu estava no meu processo de me entender, de compreensão comigo mesmo e quando eu percebi que o que eu falava afetava uma sociedade toda, eu falei caramba, calma,  como é que eu vou utilizar isso tanto a meu favor quanto para algumas pessoas que estão aqui se inspirando em mim. “, relata. O influenciador conta que falava sobre assuntos pessoais, até que viu seu crescimento nas redes e – com uma maturidade já desenvolvida – optou por desenvolver conteúdos que fossem além da sua rotina e sim, que pudessem ajudar outras pessoas. Fazendo a criação de posts mais direcionados e pensados para os seus seguidores. Conversando sobre os formatos e as redes sociais favoritas, Bielo conta que adora o Instagram e de lá não sai tão cedo. “No meu coração é a minha preferida, por onde eu comecei, por onde eu acho que eu ainda vou ficar um bom tempo, e eu gosto muito de produzir foto, que está morrendo infelizmente. Quero começar a produzir mais vídeos pro feed, porque a gente sabe que o que mais performa agora é vídeo. Gosto muito de produzir foto para o feed, e stories pra mim é vida.”, relata cheia de energia. Bate-bola com Mosaico Em todos os nossos Mosaicos de Conversas, temos um momento especial onde os influenciadores são questionados sobre algo e precisam responder com a primeira coisa que lhes vem na cabeça. Separamos as

MARKETING DE INFLUÊNCIA

Campanha da Natura de Dia dos Pais com Thammy Miranda é exemplo de case com diversidade

A campanha de Dia dos Pais de 2020 da Natura trouxe à tona um debate muito importante: o que torna uma pessoa, um pai de verdade? Convidado para participar da ação, Thammy Miranda, influenciador, disruptivo, transgênero, quebrador de padrões e pai foi alvo de ataques nas redes minutos depois colocar no ar o seu publieditorial. Em pouco tempo, a campanha virou assunto principal em todas as mídia e dividiu opiniões entre haters e lovers da marca. Recentemente, a pesquisa realizada pela agência Mosaico, que buscou mapear dados de creators LGBTQIA+, mostrou que o Dia dos Pais é uma das datas comemorativas onde empresas entravam menos em contato com a comunidade para realizar campanhas – apenas 0,6% dos respondentes já tinham sido chamados para trabalhos na data. Sendo minoria, indo na contramão e vestindo a camisa da diversidade, mesmo com tantos ataques negativos, as ações da Natura dispararam, operando em alta durante todo o dia 29 de julho. O que prova que o case de sucesso é real, e apesar dos comentários negativos existirem, o posicionamento da empresa só trouxe resultados mercadológicos e conceituais positivos. A cultura do cancelamento e a tentativa de boicoteEm um país onde a cultura do cancelamento tem ganhado tanto espaço, não é surpresa que a ameaça de boicote à marca surgisse assim que ela se posicionasse a favor de Thammy Miranda ilustrar a campanha de Dia dos Pais. Mensagens de ódio foram destinados tanto a marca, quanto a família do influenciador, negando o fato do transgênero ser pai. Logo a discussão sobre o que é ser pai estava posta, e infelizmente, muitas pessoas erroneamente seguiam conectando a paternidade à genética masculina e não, ao amor incondicional que essa posição deveria inspirar. Figuras públicas como o pastor Silas Malafaia e o vereador Alexandre Isquierdo usaram suas redes sociais para espalhar ódio e criar campanhas de tentativa de cancelamento a Natura. Muitos usuários manifestaram apoio, contudo, não foram fortes o bastante para apagar o brilho, a importância emocional e representatividade que a campanha da marca trouxe. As mesmas figuras que se posicionaram contra a Natura nesse caso, tem um longo histórico de envolvimento em escândalos, sejam eles políticos ou religiosos. O apoio de outros influenciadores e o impacto positivoEm contrapartida, muitos usuários se mostraram a favor da marca e não economizaram posts para parabenizar a atitude da Natura em mostrar que pai de verdade, é aquele que ama e dá amor ao seu filho. Em resposta, a marca menciona que “a presença é o maior presente” e quem ganha com esse posicionamento é a sociedade toda. Afinal, segundo levantamento da Universidade de São Paulo, o índice de abandono paterno (onde pais biológicos abandonam seus filhos) chega a atingir 5,5 milhões de brasileiros – que não possuem o registro paternal nas suas certidões de nascimento. Uma corrente de apoio e de amor foi criada automaticamente nas redes e envolveu influenciadores digitais como Felipe Neto, Whindersson Nunes e Bruno Gagliasso. Muitas mensagens positivas foram criadas, mostrando respeito ao pai Thammy Miranda e à Natura, potencializando a figura da marca diante do seu público e de todo o mercado financeiro. A importância do posicionamento de uma marcaToda essa movimentação é um exemplo de sucesso da importância do posicionamento de uma marca. Afinal, a Natura vestiu a camisa da diversidade e levantou bandeiras do que realmente acredita, praticamente, colocando a cara à tapa e ficando exposta a cancelamentos. A campanha teve um grande impacto positivo na sociedade, trouxe à tona uma pauta importante e ainda por cima, ajudou a Natura a bater recordes de procura no Google e aumentou suas ações, já que o posicionamento da marca foi bem visto pelo mercado internacional e nacional. Afinal, a campanha está conforme às práticas do critério que guia investimentos com foco em sustentabilidade e sociedade, o ESG – Environmental, Social and Governance (em português, Ambiental, Social e Governança). Segundo o Estadão, “terminaram o pregão com avanço de 6,73%, o maior do Ibovespa, enquanto o principal índice do mercado brasileiro subiu 1,44%.”. (gráfico que ilustra a curva de crescimento da Natura no mercado de ações) (gráfico que ilustra a curva de crescimento da Natura no google) Este exemplo de case mostra a importância do posicionamento das marcas diante de bandeiras como a da comunidade LGBTQIA+. Além disso, mostra a importância da análise de público-alvo, já que a Natura visualizou que seu público iria apoiar tal campanha – o que justifica o aumento de vendas da marca. Os haters não eram seus consumidores, logo, todo o cancelamento virtual realizado por eles não teriam impacto verdadeiro nos lucros da empresa. A ação foi planejada, estudada e abriu espaço para que outras marcas peguem como exemplo esta ativação para abrirem espaço a outros influenciadores transsexuais e outros membros das siglas do movimento LGBTQIA+ ilustrarem campanhas com poder de impacto nacional. Gostou do artigo? Conte nos comentários como essa campanha impactou você. Vamos adorar ouvir sua opinião – não o seu hater ok? <3  

DADOS

Os formatos de conteúdo mais usados por influenciadores digitais LGBTQIA+ no Brasil

Todos adoramos fazer publicações nas nossas redes sociais favoritas, certo? Escolher o melhor filtro, o melhor ângulo, uma legenda diferente para complementar a imagem. Esperar pelos likes, comentários e compartilhamentos. É um ciclo vicioso, mas que caracteriza a nossa produção de conteúdo. Para influenciadores digitais, muitas etapas são adicionadas a este processo. Entender o que os seguidores estão pedindo, a tendência do momento, os dados gerais de seu público-alvo e também realizar um monitoramento mais completo sobre os resultados alcançados. A pesquisa realizada pela agência Mosaico – que buscou dados de creators LGBTQIA+ no Brasil – apontou que fotos estáticas nos feeds são os formatos mais amados e escolhidos para publicações, sendo escolhido por 91,3% dos participantes da pesquisa.  Os formatos menos utilizados para geração de conteúdo são aqueles dentro de ferramentas como o IGTV, já que 49,4% dos participantes afirmaram não produzir para este espaço e também os #TBT – que não são utilizados por 45,9% dos criadores de conteúdo do movimento. Normalmente, notamos que criadores de conteúdo gostam de trazer sempre novidades para as parcerias que fecham, por isso, os formatos que lembram publicações antigas não ganham muita adesão. A pesquisa promovida pela Mosaico fez questão de entender melhor a produção de conteúdo na ferramenta mais queridinha de todas: o instagram stories. No período, o formato reels ainda não estava disponível pela plataforma – o que impossibilitou de trazer detalhes de quem gostaria de produzir novidades para esse novo formato. Nos stories, o formato mais utilizado são vídeos selfies (77,9%) e repost de conteúdos de feed (65,1%). Ambos oferecem espaço para potencializar o engajamento dos perfis. Apesar de estar em um momento de grande repercursão e de adesão de usuários, os reposts da plataforma TikTok não estão muito presentes nos stories, de acordo com 70,3% dos criadores de conteúdo que optam não compartilhar seu conteúdo tiktoker no instagram. Muitos alegam que a rede desenvolvida pelo grupo de Mark Zuckerberg diminui o alcance das publicações originadas em outras plataformas. Gostaram da pesquisa? A agência Mosaico está sempre trazendo novidades sobre as principais movimentações do universo do marketing de influência, compartilhando seus cases de sucesso e pesquisas que ajudam a entender melhor este mercado. Conheça de perto o trabalho acessando as redes sociais e site da agência. Não esqueça de deixar seu comentário se gostou. Pesquisa supervisionada e também integrante do projeto de pesquisa da Profa. Dra. Yhevelin Guerin, vinculada à Universidade de Santa Cruz do Sul e intitulada “Influenciadores digitais, empoderamento social e posicionamento de marca.

CONVERSAS

Klébio Damas e Katú Mirim falam sobre a visibilidade bissexual.

O Mosaico de Conversas procurou influenciadores digitais bissexuais para abordar com mais detalhes o universo de criação de conteúdo para a sigla. Em recente e inédita pesquisa da agência, foi possível mapear que a parcela de creators bi ativos no mercado de influência é em torno de 15,1% e nossos convidados, Klébio Damas e Katú Mirim detalharam melhor seu processo de trabalho para a gente. Vamos conferir? Sair do armário com um público já construído Klébio Damas começou a ganhar destaque como criador de conteúdo através da literatura. Em 2014, ele criou seu canal no YouTube para poder discutir sobre os livros que lia com outras pessoas e a partir desse momento, foi ganhando seguidores e admiradores. O influenciador digital construiu uma comunidade muito grande (chamados carinhosamente de Gnomos) que garante sempre um grande engajamento no perfil dele e em seu canal Mundo Paralelo. É um público muito ativo, que admira o posicionamento de Klebio e está junto do creator em todas as suas mudanças, apoiando-o fortemente. Com o tempo, o criador de conteúdo foi diversificando seus assuntos e também crescendo junto, até que chegou a hora de assumir sua bissexualidade com o público em geral. Klébio conta que este processo foi bem gradual, já que recebeu muitos comentários de pessoas que mencionaram já saber e outras que realmente ficaram surpresas com a declaração. “A galera estava mais aberta a isso, então não tive um grande problema. Eu acho que o maior problema mesmo, na questão de conteúdo, foi eu mudar o assunto do que eu falava”, relata. Ponte para a visibilidade indígena  Mãe, moradora da periferia e rapper, Katú diz que seu conteúdo surgiu justamente pela falta de conteúdo. “Então vamos dizer que eu fui obrigada a ser influencer. Eu fui obrigada a criar um conteúdo porque as pessoas me traziam tantas pergunta que eu falei ‘Caramba, eu preciso criar uma página pra falar só dos artistas indígenas, da arte indígena contemporânea e tradicional’, para quando a pessoa vir até mim eu falar ‘Siga essa página’”, relata. Bissexual e indígena, a influenciadora encontrou um vácuo de informações sobre o tema e a partir daí, criou canais para unir esta comunidade que não conseguia se encontrar anteriormente. Como possui uma filha, entende de forma mais profunda os impactos da influência do mundo em uma pessoa. Por isso, por conversar com um nicho bem específico, Katú toma muito cuidado com tudo que publica e menciona que para ela, o trabalho de influenciadora digital não tem muito glamour e sim, grandes responsabilidades. Katú Mirim conta que suas redes sociais são espaços para unificar o coletivo e para dar voz aos seus principais posicionamentos. Contudo, a creator também mostra uma preocupação na produção de conteúdo importante a ser destacada, ela diz “Então se eu sei que tem pessoas influenciadas por mim, eu tenho que ficar o tempo todo, ‘Aí, não posso falar isso, eu não posso fazer aquilo’ e eu não tenho vida, não é glamouroso isso.” O ponto de vista da criadora de conteúdo é extremamente profissional, já que ela pondera perfeitamente tudo que pode ser dito nas suas redes. Além disso, ela complementa “Às vezes, eu gostaria de ir no meu instagram e fazer um babado, fazer uma coisa louca e você não pode, então pra mim não tem glamour nenhum.”. Sobre ser bissexual no Brasil Katú e Klébio possuem visões semelhantes sobre ser bissexual ou ser pertencente ao movimento LGBTQIA+ no Brasil hoje, ambos acreditam que é uma luta diária que requer muita resistência. Klébio menciona que pode facilmente ser invisibilizado “Quando você está no meio hétero, por exemplo, se eu estou tendo um relacionamento hétero, eu – Klébio – no caso sou um homem cis, ficando com a menina, as pessoas me tratam como hétero, se eu ficar com menino me chamam como gay e você fica nessa coisa ali”, relata. Katú conta que dentro do próprio movimento LGBTQIA+ falta um pouco de respeito e compreensão entre as siglas. Ela menciona que assim que se assumiu bissexual, ouvia muitas piadinhas. “Eu lembro que as pessoas falavam `Você é libriana, libriano não sabe o que quer`”, relata.  Segundo recente pesquisa realizada pela Mosaico, somente o número de influenciadores digitais bissexuais representa 15,1% de todo o universo da sigla LGBTQIA+ no país, logo, é mais do que o momento de falar sobre pluralidade e respeito com outras orientações sexuais e gêneros.  Momento bate-bola com os entrevistados Um dos momentos mais esperados da entrevista são as perguntas bate-bola, onde o influenciador deve responder rapidamente, com a primeira palavra que lhe vem à mente. Klébio e Katú entraram no clima. Siga lendo e confira as principais respostas deles: Com Klébio DamasMosaico: Ser influente é?Klébio: Ser responsável. Acho que ser responsável. Entender qual é o trabalho, o que você está fazendo na internet. Ser influente e influenciador vai muito além do seguidor, como o público te enxerga.  Mosaico: Meu Mundo Paralelo é aquele quê…?Klébio:  Meu mundo paralelo é aquele que está sempre numa boa. É porque eu acho que eu, Klébio, tenho muito uma vibe de “para mim tudo bem“, não tudo bem em relação ao conforto. Eu não sou uma pessoa que gosta de falar mal dos outros, eu não gosto de gente tóxica, eu não gosto de nada que é tóxico, então eu fico “Gente ,tá tudo bem. Tá tudo bem sempre“, sabe. Mosaico: Meu próximo passo como creator de sucesso será…?Klébio:  Meu próximo passo é começar a mostrar ainda mais minha vida, sabe. Como eu falei aqui no começo, eu tenho muito essa questão de trazer o entretenimento para as pessoas. Eu gosto de divertir, eu não me acho um humorista.. Eu acho que as pessoas se entretêm, elas saem da realidade um pouquinho e vão consumir algum conteúdo. E hoje em dia eu quero muito mostrar quem eu sou de verdade. Eu acho que nesse período, eu fiquei muito trazendo informação e tal, e agora eu estou em um período que eu quero que as pessoas conheçam 100% do Klébio. Com Katú

DADOS

Quanto o trabalho de influenciador representa na renda de creators LGBTQIA+ e em quais datas eles são mais procurados?

A pesquisa que a agência Mosaico realizou com influenciadores pertencentes ao movimento LGBTQIA+ levantou muitos dados, entre eles, informações sobre o percentual da renda atrelada à produção de conteúdo e estratégias de comunicação das marcas envolvendo influenciadores da sigla. Se você é um curioso da área ou até uma marca que procura entender um pouco mais sobre a movimentação do mercado de marketing de influência, siga lendo este artigo para compreender de forma mais detalhada como os investimentos se distribuem em cada sigla. Se você ainda não leu, no artigo anterior, apresentamos um panorama sobre o perfil de criadores de conteúdo LGBTQIA+ no Brasil. LGBTQIA+: qual letra do movimento recebe mais investimentos? Nossa pesquisa, realizada entre os dias 04 e 22 de junho, trouxe questionamentos sobre quanto representa o faturamento do trabalho de influenciador digital em relação a sua renda total.  Mesmo que o trabalho de influência não represente a totalidade do orçamento do grupo pesquisado, já que apenas 11,5% dos respondentes declararam que vivem somente do trabalho de produção de conteúdo e 16,4% alegam não serem remunerados pelo seu trabalho, percebe-se que o número de influenciadores que não são remunerados pelas suas criações aumenta quando o assunto é a escolha de produtores de conteúdo que representam outras siglas além do G (influenciadores que se declaram somente gays). A preferência por gays para a participação de campanhas publicitárias já é algo percebido dentro do movimento, que questiona o posicionamento de inclusão das empresas ao abraçar apenas uma sigla. Para constatar esta relação, somente 9,3% dos representantes da letra G não recebem nenhum tipo de remuneração, enquanto que 29,2% dos representantes da letra B não são remunerados pelo seu trabalho. Já entre os representantes queers, 23,1% não recebem nenhum valor pelo seu trabalho e somente 3,8% alegam viver exclusivamente da criação de conteúdo, justamente por não poder se dedicar exclusivamente a função por falta de inclusão na comunicação de empresas. Quando nos direcionamos às lésbicas também percebemos uma grande diferença, pois 33,3% não realizam trabalhos de influência remunerados e para 47,6% o valor recebido representa menos da metade do orçamento.   Esta relação se acentua principalmente entre os transgêneros, a sigla que possivelmente seja a menos valorizada e incluída na comunicação de marcas, já que 43,8% dos entrevistados não recebe nenhum tipo de remuneração, seja ela na contratação de campanhas ou apoio a projetos. Entre os representantes da sigla T, somente 6,3% alega viver exclusivamente de seu trabalho de criador de conteúdo confirmando um tabu ainda presente no que se refere à identidade de gênero e a dificuldade não só da sociedade, mas também das marcas, de tratar o assunto de maneira mais aberta e natural. Sabemos que as transformações não acontecem de uma hora para outra, a representatividade das siglas estão relacionadas diretamente à história do movimento e do nosso momento atual, onde a discussão sobre a inclusão aflora e ganha espaço na pauta do mercado de comunicação. Vivemos uma época onde o empoderamento é exaltado e as siglas começam a aparecer com mais intensidade. Entretanto, é preciso enfatizar que as marcas ainda precisam trabalhar com outras formas de representações e diversidade.  A diferença na remuneração entre os gêneros e as principais datas comerciais em que os LGBTQIA+ são procurados. Nossa pesquisa também apontou a existência de diferença de remuneração entre homens e mulheres cis. Somente 10,7% dos homens declararam que o trabalho de influenciador não representa nada do seu orçamento e 14,6% alegaram viver exclusivamente do trabalho como criador de conteúdo. Estes números se diferenciam drasticamente quando o influencer é mulher cis, pois 30,8% não recebe nenhuma remuneração enquanto criadora de conteúdo, e 11,5% declararam que o trabalho de influência representa 100% da sua renda. Para direcionar as discussões da relação desse grupo de criadores de conteúdo com as marcas, perguntamos o que mais os anunciantes solicitam em relação a produção de conteúdo contratado. Nesse quesito, 38,4% dos respondentes comentaram que as marcas os deixam livres para escolher como será esse tipo conteúdo, já 28,5% solicitam que a utilização do produto ou serviço esteja ligada à rotina do influenciador. Percebe-se, no entanto, que a busca maior por essa comunidade, como já esperado, se concentra mais em uma data específica: o mês de Junho, citado por 60,1%. Com menor incidência, o Carnaval (34,1%) e o Dia dos Namorados (26%) também foram considerados. Em contrapartida, 10,5% alegaram que não há uma data específica, não sabendo dizer qual é o período em que marcas os procuram com mais frequência.  Além de junho – o mês do Orgulho -, o Carnaval e o Dia dos Namorados são as datas que as marcas procuram trabalhar um discurso mais plural, no entanto, essa postura parece não ser levada em consideração no decorrer do ano ou em datas consideradas, digamos que, “familiares”, como Natal (17,3%), Dia das Mães (8,7%) e Dia dos Pais (0,6%),  uma vez que não foram tão evidenciadas na pesquisa. A partir destes dados, salienta-se a necessidade das marcas investirem mais nesse mercado que, além de bilionário, deveria desenvolver estratégias com responsabilidade social constantes. É comum que ao longo do ano, certos períodos tenham picos de investimento, mas, o percentual na procura por representantes LGBTQIA+ em datas promocionais tradicionais não deveriam ser tão pequenas. Isso comprova a dicotomia que ainda existe entre família X diversidade.  A pesquisa realizada pela agência Mosaico mostra que os investimentos e a pluralidade nas campanhas que incluem representantes do movimento LGBTQIA+ precisa ser discutida. Influenciadores digitais lésbicas, gays, bissexuais, transsexuais, travestis, transgêneros, queers, intersexuais, assexuais, pansexuais e outros precisam de espaço.  Essa comunidade necessita de representatividade e, principalmente, precisa ser remunerada pelo seu esforço na criação de conteúdo, porque a valorização de suas vozes não pode ser sazonal, precisa ser permanente. Pesquisa supervisionada e também integrante do projeto de pesquisa da Profa. Dra. Yhevelin Guerin, vinculada à Universidade de Santa Cruz do Sul e intitulada “Influenciadores digitais, empoderamento social e posicionamento de marca.

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