O que você sabe sobre Visibilidade Trans e Travesti?

O que você sabe sobre Visibilidade Trans e Travesti?

Olá, aqui é a Julia, Community Manager na Mosaico!

Eu lembro de um reflexo da influência pelo qual eu passei, quando uma vez eu estava trabalhando em um hotel, e na recepção chegou uma criança e falou “Olha mãe, a Pabllo Vittar”. 

Eu “não consegui não abraçar” ela muito. Claramente há um distanciamento enorme entre a Drag Queen e uma Travesti, mas a percepção de uma criança quanto a uma pessoa LGBTQIA+  em tom de admiração, já é algo gigante, não é mesmo? 

O mundo corporativo não costuma ser o ambiente mais convidativo para pessoas Trans de maneira geral, como veremos a seguir neste texto. Ainda existem estigmas sociais a serem quebrados e a exclusão é massacrante. Já tive oportunidades muito boas de emprego. Muitas outras me foram negadas e limitações foram impostas durante esse período. Me encontrei e me perdi várias vezes nesses processos para chegar onde estou agora. 

Trabalhar com o Marketing de Influência hoje em dia me mostra um caminho que pode ser um grande aliado na luta por direitos e visibilidade, na abertura e ampliação de debates que podem nos fazer chegar a um lugar mais igualitário. 

Trabalhar com a Mosaico, contando com a diversidade em cada pessoa da equipe, parece uma experiência surreal a partir da lógica corporativa, e saber sobre o papel que estamos desempenhando e o potencial futuro que pode ter, é uma motivação maior. 

Falando do ponto de intersecção entre o lado profissional e pessoal: você poder olhar para as pessoas com quem você trabalha e poder se sentir “pertencente” ao grupo deveria ser um direito garantido a todos.

Por esses e outros motivos, devemos levar sempre em consideração recortes em diversas esferas sociais. Principalmente entendendo o contexto e suas reivindicações.  

Especificamente sobre a comunidade Trans – recorte que me corresponde – no mês de Janeiro, no dia 29, é celebrado o Dia Nacional da Visibilidade Trans e Travesti. 

A data é importante para pessoas trans de todo o país. Importância essa que também deve ser abraçada e até celebrada por pessoas cisgêneras, pois tem o significado de reforçar a luta por respeito, garantia de direitos, igualdade (e equidade). E numa sociedade mais igualitária, todo mundo sai ganhando. 

Vale lembrar que o Brasil continua sendo o país que mais mata pessoas trans no mundo, seguido por México e Estados Unidos. 

Também é importante termos a proporção da população Travesti/Mulheres trans é abismal no mercado de trabalho, onde pesquisas apontam que 90% da população utiliza a prostituição como principal fonte de renda/trabalho e apenas 4% dentre as 10% têm registro em empregos formais.

Em um segundo ponto, pessoas trans têm grande relevância e suas diversas contribuições podem ser encontradas em áreas da arte, cultura e comportamento, que socialmente são consideradas marginalizadas, e por muitas vezes, são expropriadas em função de enquadramento nas normas impostas  como sua influência na luta por igualdade de gênero, cultura, linguagem, literatura, política, entre outros.

Há uma grande pluralidade que deve ser celebrada em diversos âmbitos de influência habitados por pessoas Trans (e pretas), onde principalmente deveriam ser lembradas como protetoras ou formadoras de tais elementos culturais, por exemplo, o aclamado “Voguing” na dança e a cultura Ballroom. 

No imaginário social conservador, ainda há alguns impedimentos, porém a população trans vem avançando, e quebrando estigmas e lugares antes impostos. Como apontado no documentário “Revelação” (Disclosure – 2020 – Netflix) – para falar de uma referência recente e “popularizada” – há uma forte influência da indústria cinematográfica, e tantas outras para a criação desse paradigma. Ou seja, ainda estamos em processo de quebra de paradigmas.

Com o avanço da utilização das redes sociais como forma de manifestação em prol da visibilidade, assim como com ações afirmativas e manifestações políticas, hoje podemos ter,  em uma visão relativamente opaca, a possibilidade de celebrar a diversidade, sua completude e influência positiva que pode trazer.

Por quê influência?

Nos tempos anteriores à invenção da Internet, devido sua forte presença também nas artes,  a comunidade Trans já era noticiada como parte da influência do mundo do entretenimento no Brasil e no Mundo – principalmente na “mídia alternativa” – como apontado pelos Museus que resgatam a memória da comunidade LGBTQIA+.

Nos primórdios da internet,  era comum a presença de creators Trans em Blogs, Fotologs, comunidades do orkut e outras ferramentas mais antigas. Assim como funcionam as redes sociais atualmente, elas serviam como meios de comunicação entre a própria comunidade para o compartilhamento de informações relevantes e de apoio, como relatos de transições, fóruns sobre a liberdade de gênero e compartilhamento de lugares seguros, hoje essa narrativa avança, ajudando o deslocamento para o alcance e visibilidade além dos relatos de transição.

Laverne Cox foi a primeira mulher transsexual 

indicada ao Emmy Awards, em 2014, por conta de sua personagem Sophia Burset, no seriado Orange Is The New Black. 

Ela possui 4,5 milhões de seguidores no Insta”; via Metrópoles;

Hoje estamos encontrando caminhos e realizando  marcos importantes, como pessoas Trans ocupando a política, cinema, música e grandes prêmios de mídias também acessados pela população Cisgênera.

Como destacado acima, cada vez mais se evidenciam através influenciadores Transvestigêneres em redes sociais.

E mais, com a explosão de produções como “Pose”(Netflix, 2018), ou a nova série que conta a história da atriz e cantora Cristina Ortiz, “Veneno” (HBOMAX, 2020) e a quebra de narrativas trazida pelo filme “Alice Júnior” (Beija Flor Filmes, 2019), podemos encontrar sinais positivos sobre as novas influências nos caminhos de como se representa a história e vivência Trans.

@jonasmariaa

“ – O filme “Alice Júnior”, lançado em 2019 e recentemente disponibilizado na Netflix, não só é um respiro para a comunidade transgênera, como também nos convida a mergulhar de verdade nas questões trans enquanto nos diverte….” Diz Jonas Maria.

Fruto desses trabalhos, é possível observar atrizes que protagonizaram os respectivos papéis, como Daniela Santiago e Anne Mota e sua notoriedade nas redes sociais. 

Daniela Santiago @danielasantiago___(142k seguidores)   

Anne Mota @annemotareal (17,4k seguidores)

Artistas e profissionais de diversas áreas compartilham informação e conteúdo através das redes sociais, utilizando-as,  assim como pessoas cisgêneras, como vitrines para seus trabalhos, sua rotina e entretenimento.

Segundo matéria publicada pela BBC News asper Observatório da Uol, pessoas Trans estão mudando a Indústria da Propaganda no Brasil. A entrevista foi realizada com Lucca Najar e Thiessa Woinbackk.

@luccanajar (Youtube – 160k inscritos e pico de 390k de visualizações) 

@Thiessita ( Youtube 770k inscritos e pico de 2,2mi de visualizações)

Essa influência e notoriedade pode ser considerada uma conquista enorme para a comunidade LGBTQIA+ de maneira geral, principalmente a Trans, pois é através desse “workflow” que sabemos que entram as marcas que ainda não trabalham com ações afirmativas, a voltarem suas atenções, e incluírem os creators em suas contratações.

O “prêmio dourado” no mundo da publicidade viria diretamente dessa relação com o  Marketing de Influência, onde existe aí uma oportunidade para abrangência de convergência dessas narrativas e alocação de pessoas Trans em espaços “não comuns” anteriormente, por exemplo, em mídias tradicionais. Ou seja, não sermos obrigados a assistir tragédias forçadas sobre processos de transição em horário nobre.  

Através do mesmo, pode-se encontrar a possibilidade de abranger a informação e colocar pessoas Trans como autoridades de assuntos plurais e diversos, espaços esses que anteriormente se diluíram no conservadorismo. O que é ressaltando – que é 10/10 também –  é a capacidade de pessoas de atingirem lugares e audiências específicas com uma sensibilidade maior. 

Agora que estamos alinhando nossos discursos, trouxemos aqui alguns pontos importantes com base em erros comuns de quando vamos falar de Influência. 

  1.  Influência de pessoas trans/travestis com notoriedade.

Não se utilizar de influenciadores únicos para falar em nome de uma comunidade. É importante notar que cada influenciador tem um nicho específico e um público diferente, por mais que lutem pela mesma bandeira. Cada creator pode corresponder a um ou mais lugares dentro de sua representatividade, mas, é importante entender quando isso deve ser evitado. 

É comum acompanharmos “denúncias” em redes sociais de creators que recebem convites para representarem lugares que não são seus. Por exemplo, personagens Drags sendo chamadas para representar/ falar em nome de pessoas trans. 

Just don’t.

A partir disso precisamos: 

  1. Celebrar a pluralidade.

Existem pessoas Trans, possivelmente, em todas as áreas profissionais possíveis, como mostrado anteriormente. É importantíssimo dar voz e conciliar isso aos interesses de uma marca. 

Contratações de pessoas trans apenas para falar sobre diversidade, não significa inclusão. É importante conhecer as demandas e o público de cada creator, não assumindo que serão exclusivamente LGBTQIA+;

E muito mais importante é: 

  1. Deixar de lado as contratações de pessoas trans apenas em datas específicas;

Profissionais LGBTQIA+ trabalham o ano inteiro, e, conforme dados da pesquisa, a maioria deles relata o aumento da busca de marcas apenas em datas como Parada LGBTQIA+. 

Conte no seu calendário de ações e campanhas, as datas importantes para a Comunidade, mas não apenas. Isso é um dos elementos mais fortes, senão o próprio “Pink Money”, e às vezes nem money é, o que nos leva a pensar em: 

  1. Nem tudo é acordo de permuta (vulgo “Permuta não paga aluguel”) ; 

Uma queixa constante de creators Trans/LGBTQIA+ é a relação de propostas de contratos versus acordos de permutas recebidos. Essa é uma cobrança cada vez mais frequente dos creators, e, se formos parar para pensar: Como poderia ser diferente, não é ? Além disso, valorizar o trabalho e o caché; 

  1. Ressignifique o sentido de equipe. 

Uma equipe diversa e plural é capaz de discutir, abranger e criar mais, e com maior efetividade. Isso porque os questionamentos vêm de lados diferentes e vivências diferentes abordando o mesmo tema.  

Na busca do Creator que mais se adequa a sua marca, isso não é diferente. Ter uma equipe diversa, pode possibilitar a marca a ter uma leitura mais ampla sobre o tema e o público e por isso, selecionar os creators que mais conversem com sua marca.   

Recentemente, foi questionada essa relação entre ampliar a representação da diversidade nas marcas e o forte conservadorismo social, ou seja, boicotes a marcas que se posicionam. 

Um dado interessante é que na campanha da Natura do Dia Dos Pais, com o @Thammy.Miranda,  houve uma reação muito positiva do mercado financeiro à decisão. 

Segundo o jornal “Estadão”, as ações ordinárias da Natura operaram em alta de 6,73% em 29/06. O Ibovespa subiu 1,44%. No dia 30, o valor das ações da Natura cresceu mais 3,36%, mesmo com ataques de Fake News e boicotes virtuais.

Empresas vêm cada vez mais investindo em trazer diversidade e novos olhares para suas equipes.

E agora que você sabe, o que fazer?

4 atitudes para serem tomadas a partir de agora: 

  1. Seguir perfis e creators trans;
  2. Ficar por dentro de notícias e atualizações da comunidade Trans em geral, conquistas, lutas e contextos; 
  3. Buscar ser aliada e observar a quantidade de pessoas trans em ambientes onde frequenta. 

Se não há ninguém, questione-se o por quê. 

  1. Indicar creators nos comentários.Compartilhe esse post para que mais pessoas vejam! 

São atitudes breves, que demandam pouco tempo. A partir daí, com certeza você verá cada vez ações maiores que podem ajudar a mudar a realidade de muitas pessoas ao seu redor. Vamos juntos?

Por Julia Jesus

Agência MOSAICO - Influência com Conteúdo 🌐

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