Quanto o trabalho de influenciador representa na renda de creators LGBTQIA+ e em quais datas eles são mais procurados?

Quanto o trabalho de influenciador representa na renda de creators LGBTQIA+ e em quais datas eles são mais procurados?

A pesquisa que a agência Mosaico realizou com influenciadores pertencentes ao movimento LGBTQIA+ levantou muitos dados, entre eles, informações sobre o percentual da renda atrelada à produção de conteúdo e estratégias de comunicação das marcas envolvendo influenciadores da sigla. Se você é um curioso da área ou até uma marca que procura entender um pouco mais sobre a movimentação do mercado de marketing de influência, siga lendo este artigo para compreender de forma mais detalhada como os investimentos se distribuem em cada sigla. Se você ainda não leu, no artigo anterior, apresentamos um panorama sobre o perfil de criadores de conteúdo LGBTQIA+ no Brasil.

LGBTQIA+: qual letra do movimento recebe mais investimentos?

Nossa pesquisa, realizada entre os dias 04 e 22 de junho, trouxe questionamentos sobre quanto representa o faturamento do trabalho de influenciador digital em relação a sua renda total.  Mesmo que o trabalho de influência não represente a totalidade do orçamento do grupo pesquisado, já que apenas 11,5% dos respondentes declararam que vivem somente do trabalho de produção de conteúdo e 16,4% alegam não serem remunerados pelo seu trabalho, percebe-se que o número de influenciadores que não são remunerados pelas suas criações aumenta quando o assunto é a escolha de produtores de conteúdo que representam outras siglas além do G (influenciadores que se declaram somente gays).

A preferência por gays para a participação de campanhas publicitárias já é algo percebido dentro do movimento, que questiona o posicionamento de inclusão das empresas ao abraçar apenas uma sigla. Para constatar esta relação, somente 9,3% dos representantes da letra G não recebem nenhum tipo de remuneração, enquanto que 29,2% dos representantes da letra B não são remunerados pelo seu trabalho. Já entre os representantes queers, 23,1% não recebem nenhum valor pelo seu trabalho e somente 3,8% alegam viver exclusivamente da criação de conteúdo, justamente por não poder se dedicar exclusivamente a função por falta de inclusão na comunicação de empresas.

Quando nos direcionamos às lésbicas também percebemos uma grande diferença, pois 33,3% não realizam trabalhos de influência remunerados e para 47,6% o valor recebido representa menos da metade do orçamento.   Esta relação se acentua principalmente entre os transgêneros, a sigla que possivelmente seja a menos valorizada e incluída na comunicação de marcas, já que 43,8% dos entrevistados não recebe nenhum tipo de remuneração, seja ela na contratação de campanhas ou apoio a projetos.

Entre os representantes da sigla T, somente 6,3% alega viver exclusivamente de seu trabalho de criador de conteúdo confirmando um tabu ainda presente no que se refere à identidade de gênero e a dificuldade não só da sociedade, mas também das marcas, de tratar o assunto de maneira mais aberta e natural.

Sabemos que as transformações não acontecem de uma hora para outra, a representatividade das siglas estão relacionadas diretamente à história do movimento e do nosso momento atual, onde a discussão sobre a inclusão aflora e ganha espaço na pauta do mercado de comunicação. Vivemos uma época onde o empoderamento é exaltado e as siglas começam a aparecer com mais intensidade. Entretanto, é preciso enfatizar que as marcas ainda precisam trabalhar com outras formas de representações e diversidade. 

A diferença na remuneração entre os gêneros e as principais datas comerciais em que os LGBTQIA+ são procurados.

Nossa pesquisa também apontou a existência de diferença de remuneração entre homens e mulheres cis. Somente 10,7% dos homens declararam que o trabalho de influenciador não representa nada do seu orçamento e 14,6% alegaram viver exclusivamente do trabalho como criador de conteúdo.

Estes números se diferenciam drasticamente quando o influencer é mulher cis, pois 30,8% não recebe nenhuma remuneração enquanto criadora de conteúdo, e 11,5% declararam que o trabalho de influência representa 100% da sua renda.

Para direcionar as discussões da relação desse grupo de criadores de conteúdo com as marcas, perguntamos o que mais os anunciantes solicitam em relação a produção de conteúdo contratado. Nesse quesito, 38,4% dos respondentes comentaram que as marcas os deixam livres para escolher como será esse tipo conteúdo, já 28,5% solicitam que a utilização do produto ou serviço esteja ligada à rotina do influenciador. Percebe-se, no entanto, que a busca maior por essa comunidade, como já esperado, se concentra mais em uma data específica: o mês de Junho, citado por 60,1%.

Com menor incidência, o Carnaval (34,1%) e o Dia dos Namorados (26%) também foram considerados. Em contrapartida, 10,5% alegaram que não há uma data específica, não sabendo dizer qual é o período em que marcas os procuram com mais frequência. 

Além de junho – o mês do Orgulho -, o Carnaval e o Dia dos Namorados são as datas que as marcas procuram trabalhar um discurso mais plural, no entanto, essa postura parece não ser levada em consideração no decorrer do ano ou em datas consideradas, digamos que, “familiares”, como Natal (17,3%), Dia das Mães (8,7%) e Dia dos Pais (0,6%),  uma vez que não foram tão evidenciadas na pesquisa.

A partir destes dados, salienta-se a necessidade das marcas investirem mais nesse mercado que, além de bilionário, deveria desenvolver estratégias com responsabilidade social constantes. É comum que ao longo do ano, certos períodos tenham picos de investimento, mas, o percentual na procura por representantes LGBTQIA+ em datas promocionais tradicionais não deveriam ser tão pequenas. Isso comprova a dicotomia que ainda existe entre família X diversidade. 

A pesquisa realizada pela agência Mosaico mostra que os investimentos e a pluralidade nas campanhas que incluem representantes do movimento LGBTQIA+ precisa ser discutida. Influenciadores digitais lésbicas, gays, bissexuais, transsexuais, travestis, transgêneros, queers, intersexuais, assexuais, pansexuais e outros precisam de espaço.  Essa comunidade necessita de representatividade e, principalmente, precisa ser remunerada pelo seu esforço na criação de conteúdo, porque a valorização de suas vozes não pode ser sazonal, precisa ser permanente.

Pesquisa supervisionada e também integrante do projeto de pesquisa da Profa. Dra. Yhevelin Guerin, vinculada à Universidade de Santa Cruz do Sul e intitulada “Influenciadores digitais, empoderamento social e posicionamento de marca.

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